Quase todo executivo que me procura já decidiu, no fundo, que precisa "fazer algo com IA" — a dificuldade não é convencimento, é sequência. Sem um roteiro claro, a energia inicial se dissipa em reuniões sobre reuniões. O plano que descrevo aqui é o mesmo que uso com CEOs em mentoria, adaptado para leitura.

Mês 1 — diagnóstico sem filtro otimista

O primeiro mês não é sobre agir, é sobre ver com precisão. Isso significa mapear todo piloto de IA em andamento na empresa, mesmo os informais — aquele analista que já usa uma ferramenta por conta própria também é dado relevante. O objetivo é responder, com honestidade, três perguntas: onde a IA já toca a operação, quem decidiu isso e com que critério, e onde a empresa está exposta sem saber (por exemplo, invisibilidade da marca em respostas de IA generativa, o problema que a pesquisa Escala Will identificou em 57% de 552 marcas avaliadas).

Mês 2 — critério de decisão, não mais ferramentas

Com o diagnóstico em mãos, o segundo mês constrói o framework que vai orientar toda decisão futura sobre IA — não apenas as deste trimestre. Isso inclui:

  • Separar o que gera vantagem competitiva defensável do que é redução marginal de custo, fácil de copiar.
  • Definir a régua de build (construir internamente), buy (comprar pronto), integrate (conectar ao que já existe) ou no-go (não vale o investimento agora).
  • Estabelecer quem no comitê executivo é dono de cada decisão de IA — a ausência de dono é a causa mais comum de projeto de IA que nunca sai do piloto.

Mês 3 — ação com governança mínima viável

O terceiro mês é sobre executar uma decisão real, pequena e com critério, em vez de anunciar uma transformação grande sem lastro. Isso significa escolher um piloto — só um — com critério de sucesso definido antes de começar, e estabelecer a governança mínima: quem responde quando o agente de IA erra, como a decisão é auditada, e quando o piloto deve ser descontinuado se não performar.

"90 dias não é tempo suficiente para dominar IA. é tempo suficiente para parar de decidir no escuro."

O que medir no final

O sinal de que o plano funcionou não é "quantas ferramentas adotamos", é se o CEO consegue, sem ajuda externa, explicar em uma frase qual é a tese de IA da empresa e por que aquele piloto específico foi escolhido. Se essa frase existe e resiste a perguntas do board, os 90 dias cumpriram o objetivo.